Um estudo inédito do Cato Institute, um dos principais centros de pesquisa dos Estados Unidos, analisou quase três décadas de contas públicas americanas, entre 1994 e 2023, e chegou a uma conclusão que contraria uma das narrativas mais difundidas no debate público: imigrantes não ampliam o déficit fiscal, eles o reduzem.
Segundo o levantamento, imigrantes legais e não-cidadãos contribuíram para diminuir o déficit acumulado dos Estados Unidos em aproximadamente US$ 14,5 trilhões no período analisado. Sem essa contribuição, a dívida pública americana teria sido quase um terço maior e poderia ter ultrapassado 200% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os dados indicam que imigrantes, em média, apresentam taxas de emprego mais elevadas, trabalham mais e pagam mais impostos por pessoa do que a média da população nativa. Ao mesmo tempo, recebem proporcionalmente menos benefícios públicos. Mesmo imigrantes não-cidadãos, incluindo aqueles sem acesso pleno a programas sociais, registraram contribuição fiscal líquida positiva.
O debate não se restringe aos Estados Unidos. Em Portugal, onde eleições recentes foram marcadas por forte discussão sobre imigração, dados oficiais da Segurança Social mostram que, em 2022 e 2023, imigrantes contribuíram com cerca de € 1,861 bilhão para o sistema previdenciário, enquanto receberam aproximadamente € 257 milhões em benefícios sociais. O saldo líquido positivo foi de € 1,604 bilhão.
Em economias que operam sob sistemas previdenciários de repartição, nos quais trabalhadores ativos financiam as aposentadorias correntes, a ampliação da base contributiva é considerada central para a Sustentabilidade fiscal. Esse fator ganha ainda mais relevância em contextos de envelhecimento populacional e baixa natalidade, realidade presente tanto nos Estados Unidos quanto em países europeus como Portugal.
Para os analistas, os dados ajudam a qualificar o debate público em torno da imigração, especialmente diante do crescimento de discursos restritivos em democracias ocidentais. Rafael Facure Moredo, internacionalista, e Magno Karl, cientista político, avaliam que os impactos econômicos positivos da imigração tendem a ser subestimados no debate político, apesar de sua relevância para o equilíbrio fiscal e para o funcionamento de longo prazo das economias avançadas.




















