O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, em 14 de janeiro de 2026, a suspensão temporária na emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. A medida entrou em vigor em 21 de janeiro e tem como objetivo revisar os critérios relacionados à política de “public charge” (ônus público), mecanismo utilizado para avaliar a capacidade de autossuficiência financeira dos imigrantes antes da admissão no país.
A decisão gerou preocupação entre brasileiros que estão em processo de imigração ou que pretendem iniciar seus pedidos. No entanto, o advogado especializado em imigração Murtaz Navsariwala destaca que esse tipo de pausa administrativa não é inédita e já ocorreu em outras ocasiões.
“É natural que uma medida desse tipo cause apreensão, mas é importante compreender que se trata de uma suspensão temporária, não de um bloqueio definitivo. O processamento de vistos temporários, como turismo, estudo e trabalho, continua normalmente. Situações semelhantes já aconteceram no passado e sempre foram revertidas. O momento exige planejamento estratégico e informação confiável”, afirma.

Segundo o especialista, a suspensão não implica cancelamento de vistos já emitidos nem invalidação de processos aprovados pelo USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos). A restrição se aplica exclusivamente à etapa consular de emissão de vistos de imigração, como pedidos de residência permanente por meio de petições familiares ou profissionais, incluindo categorias EB-1, EB-2, EB-3 e EB-5.
Vistos temporários – como B1/B2 (turismo e negócios), vistos de estudo, vistos de trabalho temporário (L-1) e vistos de trânsito – continuam sendo processados normalmente. Além disso, solicitações de ajuste de status feitas dentro dos Estados Unidos não são afetadas pela nova diretriz.
Para quem ainda está na fase de planejamento, Navsariwala reforça que o momento é estratégico para organizar documentação, estruturar petições junto ao USCIS e preparar provas de estabilidade financeira. “A suspensão não impede o andamento dos processos. O impacto maior pode ocorrer na etapa consular, especialmente para quem aguarda entrevistas fora dos Estados Unidos”, explica.
Já para solicitantes com processos em andamento, o impacto varia conforme o estágio do pedido. Casos já aprovados pelo USCIS permanecem válidos. Candidatos que aguardam entrevista consular podem enfrentar adiamentos ou a exigência de documentação adicional que comprove não utilização de benefícios públicos e capacidade de autossustento no país.
A medida está diretamente relacionada à intenção do governo norte-americano de atualizar e reforçar a política de public charge, aplicada em administrações anteriores. A regra busca garantir que novos imigrantes não dependam de programas assistenciais públicos após a entrada no país. Pessoas com dupla nacionalidade, desde que utilizem passaporte de um país não incluído na lista dos 75 afetados, podem não ser impactadas pela suspensão.
Para o advogado, o cenário exige cautela, mas não representa uma paralisação do sistema migratório. “Essa pausa não significa o fim da imigração para os Estados Unidos. Já enfrentamos contextos semelhantes no passado, e todos foram revertidos. O mais importante agora é manter o planejamento, buscar orientação especializada e se preparar para as próximas etapas do processo”, conclui.





















