O IGP-10 registrou deflação de 0,4% em fevereiro de 2026, após alta de 0,3% no mês anterior, sinalizando desaceleração nos preços ao produtor e trazendo novo fôlego às expectativas de corte da taxa básica de juros ao longo de 2026. O movimento foi influenciado principalmente pelo IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), componente com maior peso na composição do indicador.
Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, a desaceleração no atacado contribui para um ambiente mais previsível para a política monetária. Segundo ele, se o arrefecimento do IPA se sustentar, o risco de repasse ao IPCA diminui, abrindo espaço para cortes no primeiro semestre de 2026, embora o cenário de curto prazo ainda não deva sofrer alterações imediatas.
Na avaliação de João Kepler, CEO da Equity Group, o comportamento do IGP-10 é relevante porque o IPA costuma antecipar movimentos que podem atingir o IPCA mais adiante. Para ele, o dado ainda não altera a postura do Banco Central no curto prazo, mantendo a perspectiva de juros elevados por mais tempo. Kepler ressalta que, para startups e empresas em expansão, eficiência operacional, controle de caixa e governança seguem como diferenciais em um ambiente de capital mais caro.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca que a dinâmica inflacionária ainda está concentrada no atacado e que o Banco Central tende a preservar postura prudente até que haja maior previsibilidade no processo de desinflação. Para o mercado de FIDCs, o cenário mantém atratividade em operações estruturadas com lastros consistentes e avaliação rigorosa de risco.
Já Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike, avalia que o resultado reforça um cenário de alívio nos custos ao produtor, oferecendo respaldo técnico para cortes graduais da Selic em 2026. No entanto, ele pondera que a composição da inflação ao consumidor e o risco de atividade econômica mais aquecida exigem cautela por parte do Banco Central.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o ponto de atenção está na composição do IPA. Caso o alívio seja temporário e volte a sofrer influência de commodities ou câmbio, o impacto pode reaparecer no IPCA, afetando a curva de juros e o valuation de ativos sensíveis à taxa básica.
Pedro Ros, CEO da Referência Capital, afirma que o dado soma ao argumento de maior previsibilidade inflacionária, mas destaca que decisões do Comitê de Política Monetária dependem de consistência na tendência, e não de um único número.
Na mesma linha, Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, observa que, se o arrefecimento do atacado for duradouro, o Copom poderá ganhar conforto para discutir cortes em 2026. Para investidores, o cenário favorece estratégias de longo prazo e ativos mais sensíveis à curva de juros, desde que acompanhados de diversificação e disciplina na alocação.
Apesar do alívio recente, o consenso entre analistas é de que o Banco Central do Brasil deve manter postura cautelosa no curto prazo, aguardando sinais mais amplos de convergência da inflação antes de iniciar um ciclo consistente de flexibilização monetária.





















