Erros formais na emissão de notas fiscais passaram a ter impacto direto e imediato no caixa das empresas brasileiras com o avanço da fiscalização digital e dos cruzamentos automáticos de dados. Informações inconsistentes em campos como CFOP, NCM e CST, que definem o enquadramento tributário das operações, já são suficientes para impedir o aproveitamento de créditos de ICMS sem qualquer análise humana prévia.
Levantamentos da Confederação Nacional dos Contadores indicam que mais de 70% das empresas brasileiras já emitiram notas fiscais com algum tipo de inconsistência formal. Essas falhas, antes passíveis de correção posterior, hoje são identificadas instantaneamente pelos sistemas fiscais.
Fiscalização sistêmica e bloqueio automático de créditos
Segundo Altair Heitor, contador e CFO da consultoria Palin & Martins, o ambiente fiscal brasileiro mudou de patamar nos últimos anos.
“A fiscalização hoje é sistêmica. O crédito não é negado depois de uma auditoria; ele simplesmente deixa de existir quando o sistema identifica incoerência entre CFOP, NCM e CST”, afirma.
O alerta é reforçado por dados do IOB, que apontam que cerca de 70% das empresas fiscalizadas no primeiro semestre de 2024 apresentaram algum tipo de divergência tributária em documentos fiscais.
As inconsistências vão desde a classificação incorreta de mercadorias até enquadramentos inadequados de tributação, comprometendo não apenas o crédito de ICMS, mas também a regularidade fiscal da operação como um todo.
Cruzamentos em tempo real reduzem margem para correção
Na prática, a automação da fiscalização reduziu drasticamente o espaço para revisões posteriores. Sistemas integrados como SPED Fiscal, NF-e e a escrituração digital do ICMS cruzam informações em tempo real, comparando dados do emitente, do destinatário, da operação e do regime tributário.
“Quando o CST não conversa com o CFOP ou o NCM não reflete a mercadoria real, o sistema entende como erro grave. O crédito é suspenso automaticamente”, explica Altair.
Além da perda financeira imediata, essas falhas aumentam o risco de autuações, glosas definitivas e atrasos em pedidos de restituição ou transferência de crédito acumulado. Em setores com alta recorrência fiscal, como agronegócio, indústria e exportação, o impacto pode se multiplicar ao longo do ano, pressionando margens já afetadas por custos operacionais e carga tributária elevada.
Prevenção fiscal como estratégia financeira
Para o especialista, a prevenção deixou de ser apenas uma questão de conformidade legal e passou a integrar a estratégia financeira das empresas.
“Crédito tributário hoje é capital de giro. Perder esse crédito por erro de preenchimento é abrir mão de um recurso que já é da empresa por direito”, destaca.
Auditorias preventivas, revisão técnica das rotinas de emissão de notas fiscais e integração entre áreas fiscal, contábil e operacional tornam-se medidas cada vez mais necessárias em um ambiente de fiscalização automatizada.
Tendência de intensificação da fiscalização digital
A tendência, segundo Altair Heitor, é de intensificação dos cruzamentos automáticos e de maior integração entre tributos estaduais e federais.
“A fiscalização digital é contínua, silenciosa e não dá aviso prévio. Quem não ajustar os processos agora vai sentir o impacto diretamente no caixa”, conclui.





















