O preço do diesel registrou forte alta ao longo de março de 2026, ultrapassando 19% de aumento em nível nacional e ampliando a pressão sobre custos logísticos e produtivos no Brasil. Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação mostra que o avanço ganhou intensidade na segunda quinzena do mês, deixando de ser pontual e assumindo caráter generalizado.
Na primeira semana de março, o diesel já liderava os reajustes, com alta média de 8,70% no tipo S10 comum e 8,91% no aditivado. No entanto, até o dia 16, os percentuais praticamente dobraram, atingindo 19,71% no diesel S10 comum e 17,61% no aditivado. Em regiões como Centro-Oeste e Nordeste, os aumentos já superam 20%, evidenciando a disseminação da alta.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do conselho do IBPT, o cenário já traz impactos concretos para consumidores e empresas. Setores como transporte, agronegócio e indústria estão entre os mais afetados, devido à forte dependência do diesel como insumo operacional.
Mesmo com medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de tributos PIS/Cofins sobre o diesel, os preços continuaram subindo. Um dos principais fatores foi o reajuste promovido pela Petrobras, que elevou em R$ 0,38 o valor do diesel A, anulando na prática os efeitos da desoneração tributária.
A gasolina também apresentou alta, embora mais moderada. O preço da gasolina comum passou de 2,06% na primeira semana para 5,24% até o dia 16, enquanto a aditivada subiu de 1,71% para 2,88%. Já o etanol seguiu caminho oposto, com leve queda de cerca de 0,67% no período, indicando um descolamento em relação aos combustíveis fósseis.
No consolidado geral, os combustíveis acumulam alta próxima de 10% em março, elevando a pressão sobre cadeias produtivas que dependem do transporte rodoviário. O impacto deve ser sentido diretamente na inflação do mês, segundo o IBPT.
O cenário internacional também pesa sobre os preços. Tensões no Oriente Médio têm influenciado o mercado global de petróleo, gerando instabilidade e elevando custos. Esse ambiente leva distribuidoras e postos a adotarem estratégias mais cautelosas, antecipando possíveis novos aumentos.
A tendência, de acordo com o monitoramento contínuo do IBPT, é que a pressão sobre os combustíveis ainda persista nas próximas semanas, com reflexos relevantes tanto para empresas quanto para o consumidor final.






















