O avanço do trabalho mediado por aplicativos no Brasil começa a redesenhar o mercado de Mobilidade urbana. Com o aumento do número de motoristas e a intensificação da concorrência entre plataformas, surgem novas iniciativas que buscam disputar espaço em um setor historicamente dominado por grandes empresas de tecnologia.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 1,7 milhão de brasileiros trabalhavam por meio de plataformas digitais em 2024, um crescimento de 25,4% em relação a 2022. Desse total, 58,3% atuam no transporte de passageiros, evidenciando o peso dos aplicativos de mobilidade dentro da economia de plataformas.
O setor segue liderado por empresas como Uber e 99, que consolidaram o modelo de intermediação digital de corridas nas grandes cidades. Nos últimos anos, porém, parte dos motoristas tem buscado alternativas diante de debates sobre taxas cobradas, mudanças nos algoritmos de remuneração e menor previsibilidade de ganhos.
Esse cenário abre espaço para o surgimento de novos aplicativos com propostas diferentes de operação. Entre eles está a HOOH, plataforma brasileira criada em Curitiba, que aposta em tecnologia própria e em uma estratégia voltada à maior proximidade com motoristas e passageiros.
“A mobilidade urbana é um serviço essencial nas cidades e ainda existe espaço para inovação no setor. Quando novas plataformas surgem, o mercado se torna mais competitivo e isso tende a gerar benefícios para motoristas e usuários”, afirma Roger Duarte, CEO da empresa.
Para especialistas em economia digital, o crescimento de aplicativos alternativos faz parte de um processo de amadurecimento do setor no país. Após uma década de forte expansão liderada por grandes empresas globais, o mercado começa a observar o surgimento de plataformas regionais e modelos de negócio mais adaptados às realidades locais.
Além da concorrência, o avanço do trabalho por aplicativos também amplia o debate sobre o futuro do trabalho digital. Segundo o IBGE, a maior parte dos profissionais atua de forma autônoma, o que levanta discussões sobre regulação, direitos trabalhistas e sustentabilidade econômica desse modelo.
“A chegada de novas plataformas pode indicar uma nova etapa de evolução da mobilidade no Brasil, marcada pela diversificação de aplicativos e pela busca por modelos mais equilibrados dentro da economia digital”, completa Duarte.




















