A diretora do Banco Mundial para o Brasil, Cécile Fruman, apresentou nesta quinta-feira, em Brasília, o estudo “Mulheres, Empresas e Direito 2026”, que analisa as condições legais e econômicas para o empreendedorismo feminino no mundo. O evento ocorreu na sede da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e reuniu parlamentares e lideranças empresariais.
O levantamento aponta que houve avanços no ambiente de negócios para mulheres, mas que barreiras estruturais ainda tornam o cenário desigual e mais frágil. De acordo com o estudo, em dois de cada três países existem direitos legais que equiparam homens e mulheres. Ainda assim, em nenhuma das 190 nações analisadas as mulheres desfrutam plenamente dessas garantias na prática.
Entre os principais desafios estão o acesso limitado a crédito e a falta de suporte para conciliar trabalho e cuidados familiares. Apenas 48% das mulheres têm acesso a crédito, enquanto 53% contam com serviços de cuidados infantis que permitam maior participação no mercado de trabalho.
Brasil apresenta índice superior à média global
No caso brasileiro, o ambiente institucional para o empreendedorismo feminino apresenta desempenho melhor que a média global e também acima da média da América Latina. Em uma escala de zero a 100 que mede mecanismos de apoio às mulheres, o Brasil alcançou 75 pontos, enquanto a média mundial ficou em 47.
Segundo Cécile Fruman, ampliar a presença feminina na economia é uma pauta central para o Banco Mundial. Para ela, ainda existe um grande caminho até que mulheres ocupem os mesmos espaços que os homens no mercado de trabalho e na liderança empresarial.
“Falta ainda muito para mulheres ocuparem os mesmos espaços que os homens. Em vários países há direitos, mas eles não são aplicados, nem mesmo para aquelas que possuem qualificação profissional”, afirmou.
A diretora destacou que a desigualdade de oportunidades prejudica a gestão das empresas e impacta negativamente a produtividade e os investimentos.
Participação feminina no mercado ainda é menor
O estudo também mostra que a participação feminina no mercado de trabalho permanece inferior à masculina. Globalmente, 49% das mulheres participam da força de trabalho, enquanto entre os homens esse índice chega a 73%.
Para o Banco Mundial, a ampliação da presença feminina nas empresas e no mercado de trabalho pode trazer impactos positivos para a Economia global. Segundo Fruman, se as barreiras persistirem, o crescimento da produtividade tende a ser mais lento, já que as mulheres representam metade da força de trabalho que ingressa no mercado.
Empreendedorismo feminino no Brasil
Durante o encontro, a presidente do Conselho Nacional das Mulheres Empreendedoras e da Cultura (CMEC), Ana Cláudia Badra Cotait, destacou o papel da entidade na promoção do empreendedorismo feminino no país.
Segundo ela, a organização atua em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com foco em capacitação, gestão empresarial e defesa de políticas públicas voltadas ao fortalecimento de empresas lideradas por mulheres.
“Estamos presentes em todos os estados e no Distrito Federal. O intuito é alavancar o empreendedorismo feminino com capacitação, gestão e políticas públicas para ajudar na criação, crescimento e fortalecimento das empresas”, afirmou.
O evento também contou com a participação da deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB-DF), da presidente do CMEC-DF, Beatriz Guimarães, e da assessora da CACB, Monica Monteiro, além de diversas empreendedoras do Distrito Federal.




















