A inteligência artificial começa a assumir um novo papel no Comércio eletrônico ao participar da descoberta, comparação e recomendação de produtos e serviços. O movimento, conhecido como AI commerce ou agentic commerce, altera a forma como consumidores chegam às marcas e impõe novos desafios às estratégias de vendas digitais.
Durante anos, a disputa pela atenção do consumidor ocorreu principalmente por meio de redes sociais, anúncios, buscadores, páginas de vendas e e-mails. Com a evolução dos assistentes de inteligência artificial, parte dessa jornada passa a ser intermediada por sistemas capazes de pesquisar, comparar opções e recomendar soluções de acordo com o contexto apresentado pelo usuário.
Recomendação depende de reputação e clareza
Nesse novo cenário, a recomendação feita por uma inteligência artificial deixa de depender apenas de anúncios ou páginas comerciais e passa a considerar fatores como reputação, clareza da oferta, autoridade da marca, avaliações, consistência da presença digital e informações disponíveis na internet.
Na prática, consumidores podem solicitar que uma IA indique o melhor curso, ferramenta, produto ou serviço para determinada necessidade, recebendo respostas baseadas em diferentes sinais de credibilidade e relevância.
Grandes empresas ampliam investimentos
O tema ganhou força em 2026 após iniciativas anunciadas por grandes empresas do setor de tecnologia e meios de pagamento.
A OpenAI apresentou novas experiências de compra dentro do ChatGPT, incluindo recursos voltados à descoberta e comparação de produtos. A Mastercard lançou o Agent Pay na América Latina e no Caribe, iniciativa direcionada a pagamentos em ambientes de agentic commerce.
Além disso, análises da consultoria McKinsey apontam que empresas como Amazon, Google, PayPal, Mastercard e Shopify desenvolvem soluções voltadas a compras mediadas por agentes de inteligência artificial, reforçando a expansão desse modelo de comércio digital.
Especialista destaca mudança nas estratégias
Segundo Leandro Ferrari, especialista em Marketing Digital e cofundador do Grupo XFlow, a transformação vai além da automação dos processos de compra.
“Até pouco tempo, muita gente pensava a venda online como uma batalha por atenção. Agora, a disputa também passa a ser pela legibilidade. A inteligência artificial precisa entender claramente o que você vende, para quem você vende, qual problema resolve e por que sua oferta merece ser recomendada”, afirma.
Conteúdo precisa ser compreensível para pessoas e sistemas
De acordo com especialistas, a mudança afeta especialmente infoprodutores, empresas digitais, e-commerces, criadores de conteúdo e marcas pessoais que utilizam autoridade e lançamentos como estratégia de vendas.
Além da produção de conteúdo, torna-se necessário estruturar informações de forma que possam ser interpretadas tanto por consumidores quanto por sistemas de inteligência artificial.
Dados como público-alvo, proposta de valor, preço, garantias, diferenciais, resultados esperados e avaliações tendem a ganhar maior importância na organização das páginas e materiais institucionais.
Campanhas isoladas podem perder força
Na avaliação de Ferrari, empresas que dependem exclusivamente de campanhas temporárias podem enfrentar maiores dificuldades nesse novo ambiente digital.
“Se a sua venda depende de uma narrativa que aparece durante sete dias de lançamento e depois desaparece, você fica vulnerável. O mercado caminha para um jogo em que reputação, histórico e clareza acumulada contam cada vez mais. A IA não olha só para o seu pico de campanha, ela tende a considerar o conjunto de sinais que sua marca deixa no ambiente digital”, explica.
Canais próprios ganham importância
Outro aspecto destacado é a valorização dos canais próprios de comunicação.
Conteúdos institucionais, páginas bem estruturadas, newsletters, comunidades, estudos de caso e bases próprias de relacionamento passam a contribuir para fortalecer a autoridade das marcas e facilitar sua identificação por sistemas de inteligência artificial.
Especialistas afirmam que esses ativos ajudam a construir uma presença digital mais consistente, reduzindo a dependência exclusiva dos algoritmos das redes sociais.
Relação de confiança continua sendo diferencial
Apesar do avanço da inteligência artificial na jornada de compra, especialistas destacam que fatores como confiança, criatividade e relacionamento com o público continuam sendo fundamentais.
Nesse contexto, empresas que desenvolvem comunidades, constroem autoridade e mantêm presença digital consistente tendem a ampliar sua capacidade de serem encontradas e recomendadas tanto por consumidores quanto por sistemas inteligentes.






















