A inflação ao produtor no Brasil registrou forte aceleração em março de 2026, com alta de 2,37% em relação a fevereiro, revertendo a queda de 0,16% observada no mês anterior. O resultado representa o avanço mais expressivo desde março de 2022, indicando uma pressão relevante sobre os custos industriais.
De acordo com os dados mais recentes, 18 das 24 atividades industriais analisadas apresentaram aumento de preços no período, evidenciando uma disseminação ampla das pressões inflacionárias ao longo da cadeia produtiva.
Os maiores avanços foram observados nos seguintes segmentos:
- Indústrias extrativas: +18,65%
- Outros produtos químicos: +5,03%
- Refino de petróleo e biocombustíveis: +4,24%
- Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos: +2,50%
A alta no setor de refino reflete, em grande parte, o aumento dos preços globais de energia, impulsionado pelo choque no mercado de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz — uma rota estratégica para o fluxo global de petróleo.
Na análise por categorias econômicas, os preços de bens intermediários subiram 3,75%, sinalizando pressão relevante sobre os custos de produção. Já os bens de consumo avançaram 0,95%, enquanto os bens de capital registraram leve queda de 0,18%.
Apesar da aceleração mensal, o índice acumulado em 12 meses permanece em território negativo, com retração de 1,54%, sugerindo que o movimento recente ainda não reverte completamente a tendência anterior de descompressão de preços industriais. No acumulado de 2026 até março, a variação é positiva em 2,53%.
Perspectiva
O desempenho do índice de preços ao produtor reforça o monitoramento atento por parte de investidores e formuladores de política econômica, especialmente diante da transmissão potencial desses custos para os preços ao consumidor. A evolução dos preços de energia, o cenário externo e os ajustes nas cadeias produtivas devem continuar no radar como fatores determinantes para a trajetória inflacionária nos próximos meses.






















