A pesquisa “2026 Retail Industry Global Outlook”, conduzida pela Deloitte, revela que o varejo global está entrando em uma nova fase marcada por agilidade, inteligência baseada em dados e disciplina no controle de custos para enfrentar um ambiente cada vez mais influenciado pela Inteligência Artificial (IA).
Realizado com 330 executivos do setor em diferentes países, o levantamento mostra um cenário de otimismo cauteloso: 96% dos entrevistados esperam crescimento das receitas em 2026, enquanto 81% projetam expansão das margens, mesmo diante de uma possível desaceleração econômica e restrições no poder de compra em algumas regiões.
Entre as prioridades estratégicas apontadas estão crescimento e expansão de mercado (55%), foco no cliente (52%), transformação operacional (48%) e transformação digital (47%). Segundo Paulo de Tarso, sócio-líder de Consumer da Deloitte, consumidores mais atentos ao valor exigem inovação e tecnologia para combinar preço, qualidade, experiência e confiança.
IA ganha protagonismo
A Inteligência Artificial aparece como principal vetor de transformação. Hoje, 64% dos executivos afirmam utilizar IA em detecção de fraudes e cibersegurança; 48% em otimização de preços e promoções; e 42% em chatbots de atendimento ao cliente.
Além disso, 68% esperam implementar agentes de IA para funções-chave nos próximos dois anos. No Comércio eletrônico, esses agentes já participam das etapas de descoberta, decisão e pagamento, com tráfego oriundo de chats inteligentes representando entre 15% e 20% das referências totais para alguns varejistas.
A expectativa é que, até 2030, os agentes de IA sejam responsáveis por até 25% das vendas globais de e-commerce. Nove em cada dez entrevistados acreditam que a IA substituirá progressivamente os mecanismos de busca tradicionais, e metade prevê que a jornada de compra com múltiplas etapas dará lugar, até 2027, a uma única interação mediada por IA.
Valor, fidelização e dados
A busca por valor tende a se consolidar como mudança estrutural. Quase 70% dos executivos acreditam que comportamentos como optar por alternativas mais baratas ou trocar conveniência por economia não são apenas respostas temporárias à inflação. Ainda assim, até 40% da percepção de valor de uma marca está ligada a fatores além do preço, como qualidade, atendimento e programas de fidelidade.
Para 81% dos entrevistados, a IA generativa pode enfraquecer a lealdade às marcas ao priorizar critérios como valor e adequação. Isso aumenta a necessidade de dados precisos e preparados para leitura por sistemas de IA. No entanto, 44% apontam que sistemas legados ainda atrasam a inovação, reforçando a importância de arquiteturas de dados mais integradas e flexíveis.
Cadeia de suprimentos e margens
A transformação da cadeia de suprimentos também é vista como estratégica. Com 95% prevendo aumento de custos ligados a políticas comerciais globais, cerca de dois terços planejam regionalizar, nacionalizar ou diversificar fornecedores. A IA deve apoiar na visibilidade da cadeia, gestão de estoques e redução de custos logísticos.
Apesar das pressões, 82% mantêm visão positiva sobre a rentabilidade em 2026. Para proteger margens, os varejistas pretendem ajustar preços mínimos para frete grátis, rever o mix de produtos com foco em itens de maior valor agregado e reforçar o controle de custos.
Três quartos afirmam estar concentrados no que podem controlar, e 71% relatam já perceber vantagem competitiva decorrente de uma gestão mais rigorosa de despesas. Segundo Paulo de Tarso, estarão à frente as organizações que tratarem a adaptabilidade como capacidade estratégica contínua e utilizarem IA e agentes de IA como alavancas centrais de transformação.
Com informação Agência Brasil.





















