O mercado brasileiro de crédito privado atravessa uma fase de expansão estrutural, impulsionada por um ambiente prolongado de juros elevados, maior seletividade bancária e necessidade crescente de financiamento fora do sistema tradicional. Dados da Anbima indicam que o patrimônio líquido dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já se aproxima de R$ 800 bilhões, refletindo a migração gradual de empresas e investidores para estruturas mais flexíveis de captação e alocação de recursos.
Esse movimento ocorre em paralelo à retração relativa do crédito bancário e ao aumento do custo do capital, ampliando a relevância de veículos privados capazes de atender diferentes perfis de risco, prazo e lastro — especialmente em um cenário de desaceleração econômica controlada.
Nesse contexto, o Grupo IOX tem se destacado por uma estratégia baseada na diversificação interna de seus veículos de crédito. IOX I, IOX II, IOX Special e IOX Real cresceram de forma paralela, com funções distintas dentro da estrutura do grupo. O IOX II ultrapassou R$ 1,5 bilhão em patrimônio líquido, tornando-se o maior bloco individual da operação.
A lógica, segundo o CEO da companhia, é reduzir a dependência de um único produto e criar uma base mais equilibrada de originação, risco e retorno. “O crescimento do crédito privado exige estruturas que consigam atravessar ciclos diferentes sem concentração excessiva. A diversificação entre veículos permite distribuir riscos e atender demandas distintas do mercado”, afirma Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX.
A expansão reflete um estágio mais maduro do mercado de crédito estruturado no Brasil. Em vez de crescimento pontual impulsionado por janelas específicas, gestores têm ampliado plataformas com múltiplos fundos para responder a um ambiente mais complexo, no qual investidores exigem governança, previsibilidade e transparência.
O aumento do patrimônio médio por fundo e a consolidação de gestores com vários veículos ativos indicam que o crédito privado deixou de ser complementar e passou a ocupar papel estrutural no financiamento da economia real, especialmente para médias e grandes empresas.
Para Ionescu, a escala construída a partir dessa lógica acompanha uma transformação mais ampla do sistema financeiro. “O avanço dos FIDCs e de estruturas privadas mostra que o crédito fora dos bancos ganhou relevância permanente. A estratégia de múltiplos fundos responde a esse novo desenho do mercado, no qual a escala precisa vir acompanhada de disciplina e leitura de ciclo”, explica.
Em um cenário em que o crédito bancário segue restrito e o custo do capital permanece elevado, a diversificação interna surge como um dos principais vetores de crescimento sustentável no crédito privado brasileiro.






















