O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica, em 5,1%, segundo a Pnad Contínua, pesquisa do IBGE. Ao longo do ano, de acordo com dados do Caged, foram geradas mais de 1 milhão de vagas formais no país, sendo 59.812 no setor de alimentação fora do lar. O resultado consolida um cenário de mercado de trabalho aquecido, com reflexos diretos sobre o consumo e o movimento em bares e restaurantes.
O baixo nível de desemprego favorece o setor ao ampliar a circulação de renda e sustentar o fluxo de clientes, mesmo em um ambiente marcado por custos elevados e forte concorrência. Por outro lado, esse mesmo contexto impõe desafios relevantes aos empresários: a disputa por profissionais se intensifica, sobretudo nas funções operacionais, exigindo planejamento, criatividade e estratégias mais flexíveis de contratação.
“Quando o emprego cresce, o consumo acompanha, e bares e restaurantes sentem esse movimento diretamente no caixa. Mas esse mesmo cenário pressiona o outro lado da operação: encontrar e reter profissionais qualificados se torna mais difícil. Isso obriga o empresário a repensar a gestão de pessoas, investir em produtividade e adotar modelos de contratação mais flexíveis, compatíveis com a realidade do setor”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Dezembro sinaliza desaceleração e ajuste no ritmo de contratações
Apesar do desempenho positivo no acumulado de 2025, os dados de dezembro indicam uma inflexão no ritmo do mercado de trabalho. No último mês do ano, o Brasil registrou saldo negativo de 618.164 vagas formais, enquanto o setor de alimentação fora do lar encerrou o período com fechamento de 21.563 postos de trabalho.
O resultado não invalida o cenário de aquecimento observado ao longo do ano, mas sinaliza uma possível transição para um ambiente de maior seletividade nas contratações e foco crescente em eficiência operacional, produtividade e controle de custos.
Pesquisa da Abrasel reforça essa leitura. Segundo o levantamento, 21% dos empresários do setor pretendem contratar no primeiro semestre de 2026. A maioria, 67%, planeja manter o quadro atual de funcionários, enquanto 12% projetam redução. As funções com maior demanda continuam sendo auxiliares de cozinha, atendentes, garçons, cozinheiros, gerentes e entregadores, cargos essenciais para o funcionamento diário dos estabelecimentos.
“Em um contexto de consumo aquecido, mas de contratações mais cautelosas, o trabalho intermitente passa a ser uma solução cada vez mais relevante para o setor. Ele permite que bares e restaurantes mantenham o vínculo formal com o trabalhador e, ao mesmo tempo, ajustem suas equipes à sazonalidade e à demanda real do negócio, trazendo mais eficiência, previsibilidade de custos e Sustentabilidade para a operação”, conclui Solmucci.



















