O último ano consolidou a expansão do varejo de proximidade no Brasil, impulsionada pela busca do consumidor por conveniência, acesso rápido e soluções integradas à rotina. Dados da Associação Paulista de Supermercados (APAS) mostram que esse modelo liderou as aberturas do setor supermercadista em 2024, representando mais de 50% do total.
De olho nos próximos movimentos do mercado, Leonardo de Ana, cofundador e CEO da InHouse Market — rede líder em mercados autônomos 24 horas no país, com mais de 1.800 unidades em mais de 320 cidades — aponta tendências que devem ganhar força em 2026. Para ele, a longevidade de uma inovação está diretamente ligada à sua capacidade de resolver problemas reais ao longo do tempo. “Para analisar se uma tendência é duradoura, basta olhar para os próximos dez anos e verificar se a solução continuará resolvendo uma dor”, afirma.
Inteligência artificial aplicada à segurança
Uma das principais apostas do setor é a ampliação do uso de tecnologias baseadas em dados, eventos e inteligência artificial, com foco em eficiência operacional e redução de perdas. Atualmente, as perdas em mercados autônomos variam, em média, entre 3% e 5%, concentradas principalmente em furtos, além de vencimentos e avarias.
Com o avanço do monitoramento inteligente, esse cenário tende a mudar. Sistemas passam a acompanhar toda a jornada do consumidor dentro da loja, desde a entrada até o pagamento, transformando cada interação em um evento analisável, como abertura de geladeiras, retirada e devolução de produtos, alteração de quantidades no carrinho e finalização da compra.
Por meio de algoritmos de IA, esses eventos são classificados por níveis de risco, permitindo alertas em tempo real, atuação preventiva e uma gestão mais precisa das perdas. Em estágios mais avançados, a Tecnologia pode viabilizar até o pré-débito automático de produtos identificados como não pagos, desde que haja cartão previamente cadastrado, reduzindo drasticamente a possibilidade de furto.
Personalização com base no cruzamento de dados
Outro eixo central de crescimento está na personalização da experiência de compra. A 4ª edição da pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil, realizada pelo Tudo Sobre Incentivos (TSI) em parceria com a ABEMF, aponta que 78,3% dos consumidores consideram ofertas e comunicações personalizadas decisivas para manter o consumo de uma marca.
No varejo de proximidade, o uso intensivo de dados e inteligência artificial permite identificar o consumidor logo na entrada da loja, cruzando informações como histórico de compras, frequência, horários, localização e preferências individuais. A partir disso, as promoções deixam de ser genéricas e passam a ser oferecidas em tempo real, com sugestões alinhadas ao perfil de cada cliente.
Esse modelo favorece estratégias mais eficientes de cross-sell e up-sell, elevando o ticket médio e a recorrência. Além disso, orienta decisões estratégicas, como a introdução de novos produtos e o ajuste do mix de prateleira conforme a demanda real de cada unidade.
Expansão além dos condomínios
Embora os grandes centros urbanos sigam como principal motor do varejo de proximidade, especialmente no Sudeste, o setor passa por uma mudança estrutural no perfil dos pontos de instalação. Hoje, entre 90% e 95% dos mercados autônomos da InHouse Market estão em condomínios residenciais, mas esse cenário começa a se diversificar.
Ambientes corporativos, academias, hotéis e outros espaços de alta circulação, que representavam cerca de 3% a 4% das unidades, já se aproximam de 10% e podem chegar a aproximadamente 30% do mercado nos próximos cinco a dez anos. A retomada do trabalho presencial, o aumento da frequência em academias e a normalização das viagens após a pandemia impulsionam esse movimento.
Consolidação por fusões e aquisições
A partir de 2026, o setor deve entrar em uma fase mais intensa de consolidação, marcada por fusões e aquisições entre empresas de tecnologia, operadores e redes de varejo. O objetivo é ganhar escala, ampliar cobertura geográfica e concentrar investimentos em inovação, formando players mais robustos em um mercado cada vez mais profissionalizado.
Segundo Leonardo de Ana, o varejo de proximidade caminha para um modelo altamente tecnológico, orientado por dados e centrado no consumidor, no qual eficiência operacional e experiência personalizada serão diferenciais competitivos decisivos.






















