O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (25) que o governo federal está desenvolvendo um projeto para permitir que a população influencie diretamente a elaboração do Orçamento da União. Batizada de Orçamento do Povo, a iniciativa tem como objetivo estimular a participação cidadã na definição do uso dos recursos públicos.
Segundo o ministro, o lançamento do projeto está previsto para o próximo mês. Neste primeiro ano, a proposta terá caráter didático, já que o Orçamento de 2026 já foi aprovado e sancionado. “A ideia é, justamente, criar essa cultura do povo apontar o dedo e decidir o que precisa no seu município, qual a prioridade”, disse Boulos em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov.
O ministro relacionou a iniciativa às críticas em torno das emendas parlamentares, especialmente ao chamado “orçamento secreto”. De acordo com ele, somente neste ano, cerca de R$ 61 bilhões foram destinados a emendas, muitas vezes sem transparência suficiente sobre a aplicação dos recursos. “Esse dinheiro vai pelo ralo, não se sabe para onde está indo. O que nós vamos fazer? Mostrar que é possível o povo se apropriar do orçamento do governo brasileiro”, afirmou.
As emendas parlamentares são instrumentos pelos quais deputados e senadores direcionam verbas do orçamento para obras, serviços ou projetos específicos, geralmente em suas bases eleitorais.
Com o Orçamento do Povo, cada cidadão poderá votar uma única vez em propostas a serem implementadas em sua cidade. No primeiro ano, o governo pretende alcançar cerca de 400 municípios, incluindo todas as capitais do país. Cada localidade terá um orçamento previamente definido, com recursos provenientes dos ministérios que aderirem à iniciativa — até o momento, sete pastas já confirmaram participação.
Entre os exemplos citados por Boulos estão investimentos em ambulâncias do Samu, praças com Wi-Fi, climatização de salas de aula e projetos culturais itinerantes, como o MovCEU. “Uma parte desse gasto vamos deixar o povo definir quais são as cidades prioritárias”, explicou.
A proposta mais votada em cada município será executada pelo governo federal. Para o ministro, o projeto pode fortalecer a democracia participativa. “Quando você cria essa cultura de botar o dedo e dizer para onde vai o dinheiro, ninguém segura mais o povo. E é isso que a gente quer”, concluiu.
Com informação agência Brasil.





















