A sustentabilidade tem ganhado espaço na agenda global, mas torná-la acessível a empresas de todos os portes, governos e cidadãos ainda representa um desafio no Brasil. A realização da COP30, no mês passado, em Belém (PA), ampliou o debate sobre políticas públicas, inovação e soluções práticas, oferecendo referências internacionais que podem contribuir para o avanço do tema no país.
Segundo Lucas Urias, diretor de Estratégia e Inovação do Grupo Multilixo, a democratização da sustentabilidade depende da integração entre tecnologia, educação e ações governamentais.
“Não basta falar em sustentabilidade: é preciso criar condições para que mais pessoas e empresas possam participar de forma prática. Cada ação conta, da separação de resíduos à adoção de energias renováveis ou à recuperação de áreas degradadas”, afirma.
Reciclagem e gestão de resíduos seguem como gargalos
Apesar da evolução do debate, o Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais. A taxa de reciclagem permanece baixa, grande parte dos resíduos orgânicos ainda é destinada a aterros sanitários e muitas regiões carecem de acesso a tecnologias e serviços que permitam ampliar práticas sustentáveis.
Mesmo assim, iniciativas já em operação demonstram que soluções em escala são possíveis. Em São Paulo, a planta de reciclagem Flacipel tem capacidade para processar até 8 mil toneladas de resíduos por mês, separando 18 tipos de materiais e realizando a extração de metais ferrosos e não ferrosos. Outro exemplo é a Usina de Tratamento e Geração de Energia de Jambeiro (UTGR), que produz biometano e pode gerar até 170 mil toneladas de créditos de carbono por ano.
Integração e inclusão como caminhos para o avanço
Para Urias, iniciativas desse tipo mostram caminhos possíveis para expandir o acesso às práticas ambientais.
“Transformar a sustentabilidade em algo inclusivo significa permitir que empresas, governos e cidadãos contribuam de maneira prática e mensurável. A troca de experiências em eventos como a COP30 ajuda a fortalecer boas práticas e inspirar novas iniciativas que beneficiem toda a sociedade”, afirma.
O especialista avalia que a consolidação de uma economia circular no país depende do avanço simultâneo de Inovação tecnológica, investimentos e educação ambiental, garantindo que medidas sustentáveis sejam viáveis e acessíveis em diferentes contextos sociais e econômicos.





















