A disputa entre Shopee, Amazon, AliExpress e Mercado Livre entrou em uma nova etapa no Brasil. Após um período marcado por cupons agressivos e subsídios ao frete, o Comércio eletrônico passou a ser influenciado por fatores estruturais, como eficiência logística, previsibilidade de entrega e segurança na jornada de compra.
O movimento ocorre em um mercado que movimentou R$ 204,3 bilhões em 2024, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), e que já responde por cerca de 9% do varejo nacional.
Com o avanço das compras online, o consumidor brasileiro passou a demonstrar menor tolerância a atrasos, falhas no pós-venda e processos pouco claros de troca e devolução. Dessa forma, o preço deixou de ser o único critério de escolha, abrindo espaço para plataformas que oferecem uma experiência mais previsível do pedido à entrega.
Segundo o especialista em vendas em marketplaces Hugo Vasconcelos, sócio da VDV Group, essa mudança ajuda a explicar o novo cenário competitivo. “O consumidor passou a comparar a experiência como um todo. Entrega previsível, política de devolução clara e reputação do vendedor hoje pesam mais do que descontos pontuais”, afirma.
Estratégias diferentes para o mesmo público
A alteração no comportamento do consumidor se reflete nas estratégias adotadas pelos principais marketplaces. Shopee e AliExpress continuam a utilizar cupons e preços reduzidos como ferramenta de aquisição e ganho de volume, sobretudo em categorias mais sensíveis a valor.
A Amazon mantém foco em sortimento amplo e fidelização por meio do programa Prime, com entregas rápidas nas regiões melhor atendidas por sua rede logística. Já o Mercado Livre tem fortalecido a integração logística e o ecossistema de vendedores.
Dados da própria companhia indicam que mais de 90% das entregas no Brasil já passam por sua malha logística, o que amplia o controle sobre prazos e reduz falhas operacionais. A expansão de centros de distribuição em regiões como Nordeste, Sul e Centro-Oeste faz parte dessa estratégia, especialmente diante de plataformas que ainda dependem, em grande medida, de importações com prazos mais longos.
Profissionalização ganha importância
Esse novo ambiente também impacta diretamente os vendedores. Informações do Sebrae indicam que a falta de gestão logística, financeira e operacional está entre os principais fatores de insucesso de pequenos negócios no meio digital. Em resposta, as plataformas passaram a exigir padrões mais elevados de atendimento, emissão regular de notas fiscais e desempenho consistente.
Na prática, essas exigências funcionam como um filtro. Ao priorizar vendedores mais estruturados, os marketplaces buscam reduzir conflitos, ampliar a confiança do comprador e fortalecer a taxa de recompra.
Critérios além do preço
Para empresas e empreendedores que atuam no comércio eletrônico, especialistas recomendam avaliar fatores como estabilidade operacional, acesso a dados, previsibilidade de frete e critérios de reputação antes de escolher a plataforma — e não apenas taxas ou incentivos iniciais. Esses elementos tendem a influenciar o desempenho no médio e longo prazo mais do que campanhas sazonais de desconto.
Embora a competição entre Shopee, Amazon, AliExpress e Mercado Livre permaneça intensa, os critérios de disputa tornaram-se mais racionais. À medida que o e-commerce se consolida como um dos principais canais do varejo brasileiro, ganham espaço as plataformas que conseguem equilibrar preço, eficiência e confiança, enquanto modelos sustentados exclusivamente por subsídios mostram sinais de esgotamento.






















