O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (29) que o espaço aéreo “acima e ao redor” da Venezuela deve ser considerado “fechado em sua totalidade”, em mais um capítulo da escalada de tensão entre Washington e o governo de Nicolás Maduro.
A mensagem foi publicada em sua rede social, dirigida a “linhas aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas”, mas sem detalhes operacionais sobre como a medida seria aplicada.
A declaração gerou preocupação imediata em Caracas, em companhias aéreas e na comunidade internacional, porque ocorre em paralelo a um crescente endurecimento militar dos EUA no Caribe, incluindo ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas e o deslocamento de meios navais e aéreos para a região.
Na postagem deste sábado, Trump afirmou que o espaço aéreo “deve ser considerado fechado em sua totalidade”, sem anunciar formalmente um bloqueio aéreo autorizado por organismos internacionais ou pelo Congresso dos EUA.
A fala se soma a declarações recentes em que o presidente norte-americano vem sinalizando que ataques “por terra” contra alvos em território venezuelano podem começar “muito em breve”, sob o argumento de combater o narcotráfico e redes criminosas ligadas ao governo Maduro.
Na prática, Trump não pode “fechar” unilateralmente o espaço aéreo de um país soberano, mas pode:
- Ordenar que companhias aéreas dos EUA evitem o sobrevoo da região;
- Emitir alertas de segurança por meio de agências como a Administração Federal de Aviação (FAA);
- Ampliar operações militares e de vigilância próximas ao território venezuelano.
Na semana anterior, a FAA já havia emitido um alerta de risco para voos civis sobre a Venezuela, citando “agravamento da situação de segurança” e “aumento da atividade militar em ou ao redor” do país.
Escalada militar no Caribe
Desde setembro, os EUA vêm conduzindo ataques com aeronaves militares contra barcos suspeitos de transportar drogas no Caribe e no leste do Pacífico, ações que resultaram em dezenas de mortos e vêm sendo criticadas por especialistas em direitos humanos como possíveis execuções extrajudiciais.
Relatórios da imprensa internacional indicam:
- Deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford e de outros navios de guerra para próximo das águas venezuelanas;
- Voos de bombardeiros estratégicos e caças em missões de treinamento que simulam ataques;
- Expansão da presença militar norte-americana em bases do Caribe, como Porto Rico.
Analistas consultados por agências internacionais avaliam que esse conjunto de movimentos configura uma pressão máxima sobre Maduro, ao mesmo tempo em que mantém aberta a possibilidade de uma escalada que poderia incluir ataques aéreos ou operações especiais em solo venezuelano.






















