Empreender é caminho para levar pesquisa científica ao mercado

Foto: Pexels

Todos os anos, ideias de produtos e soluções inovadoras são guardadas nas bibliotecas das universidades brasileiras sem a chance de serem desenvolvidas na prática.

Os desafios para que as pesquisas científicas encontrem o caminho do mercado – como baixo investimento no setor e inexperiência do pesquisador para lidar com o mercado – impedem que a sociedade se beneficie desses estudos.

Mas há iniciativas que buscam mudar essa realidade.

Através do empreendedorismo, a pesquisadora Patrícia Ponce decidiu levar ao mercado seu estudo sobre o reaproveitamento de resíduos agrícolas para a produção de embalagens e utensílios biodegradáveis e compostáveis.

Em agosto de 2020, ela fundou a startup daNatureza.

Para o processo de criação da empresa, Patrícia contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e participou do programa de inovação Catalisa ICT, iniciativa do Sebrae com o apoio da Wylinka.

Segundo a pesquisadora, a rede de apoio foi fundamental em sua trajetória:

“Eu já sabia que não seria fácil empreender. São muitos desafios que precisam ser transpostos para se chegar mais perto do tão desejado produto validado e pronto para ser colocado no mercado.”

Dentre os desafios, ela destaca a preparação do pesquisador como empreendedor.

“É preciso conhecer a dor do cliente, saber se ele está disposto a comprar a ideia, conhecer a legislação envolvida em seu negócio, proteger a marca e o produto com patentes”, exemplifica. “É preciso procurar ajuda.”

A pesquisadora Patrícia Ponce fundou uma startup baseada em estudo científico sobre reaproveitamento de resíduos agrícolas (Foto: Reprodução Instagram)

Planos de expansão

No final do ano passado, a daNatureza fez a primeira venda de kits de plantios com vasos biodegradáveis para um escritório de advocacia, nicho de mercado que Patrícia diz não ter imaginado que atenderia se não fosse a orientação recebida durante o programa Catalisa ICT.

Para o futuro, a cientista e empreendedora planeja dar continuidade à participação no programa de inovação para diversificar e aumentar a produção e, assim, expandir para novos mercados.

Empreendedorismo, consultorias e parcerias: conheça os caminhos possíveis

O empreendedorismo é apenas um dos caminhos possíveis para a pesquisa científica chegar até o mercado, como esclarece a CEO da Wylinka, Ana Carolina Calçado.

“Uma grande empresa pode encontrar nas universidades e centros de pesquisa uma solução tecnológica e fazer o licenciamento desse ativo para a exploração comercial”, pontua.

“Também acontece de algumas universidades e pesquisadores prestarem serviços de consultoria técnica para a iniciativa privada.”

Outra possibilidade destacada por Ana são as encomendas públicas. “Nesse caso, o cliente é o governo e ‘encomenda’ na universidade alguma solução tecnológica.

Quando o Butantã ou a Fiocruz produzem vacinas que usamos no SUS, isso é um exemplo de parceria público-privada na qual a ciência não só dialoga, mas gera resultados significativos para o mercado e para a sociedade.”

Mas para que esses caminhos sejam trilhados, é necessário fazer a ponte entre o conhecimento produzido nas instituições e a sociedade. O processo inclui desde a validação dos produtos até a preparação dos cientistas para atender o mercado, o que exige recursos financeiros e humanos.

Quase 3 mil soluções são inseridas no mercado

A Wylinka – organização sem fins lucrativos que tem como propósito mobilizar e desenvolver instituições e ecossistemas para a inovação e o empreendedorismo – trabalha com iniciativas que buscam sanar esses gargalos.

“Em 10 anos de existência, foram 7.670 pessoas capacitadas em todos os nossos projetos. No total, foram criadas quase 3 mil soluções de base científica com foco no mercado”, destaca Ana.

Ela afirma que o ecossistema de inovação está motivado para superar os desafios.

“Mobilizamos mais de 2.570 atores – entre mentores, palestrantes voluntários e instituições que apoiaram a execução dos projetos da Wylinka – com o foco em levar a formação empreendedora à comunidade acadêmica. Mas ainda há muito espaço para crescer.”

Entre os projetos desenvolvidos pela Wylinka está o curso Ciência na Ponta, que oferece a capacitação para os cientistas transformarem a pesquisa acadêmica em uma startup.

Durante dez semanas, os inscritos participam de módulos para o desenvolvimento de habilidades empreendedoras, a identificação de oportunidades para a aplicação da pesquisa e a comunicação do negócio no mercado.

A Wylinka foi escolhida pelo Sebrae para executar capacitações no programa Catalisa ICT, que também tem o objetivo de inserir a pesquisa científica no mercado.

Para isso, os pesquisadores participam de várias fases para a estruturação do negócio através de mentorias, capacitações sobre gestão e apoio financeiro.

Outras parcerias da Wylinka são desenvolvidas junto com o Sebrae for Startups, uma iniciativa do Sebrae São Paulo que busca conectar as empresas de base tecnológica do Estado e os possíveis parceiros a fim de fomentar e fortalecer o ecossistema de inovação, através de uma série de programas.

Junto ao Sebrae for Startups, a Wylinka atua nos programas Lab Vendas Científicas, Acelerando Cientistas e Atômica, abarcando desde a fase de criação de ideias e soluções até o atendimento de startups científicas que querem escalar as suas vendas.

 

Sair da versão mobile