Aplicativo de entregas foca em cidades menores e cresce em meio à pandemia

Uma empresa de tecnologia da informação (TI) do Oeste do Paraná – a Rhede Sistemas – desenvolveu uma plataforma de pedidos e entregas que está preenchendo uma lacuna.

O “Appétit”, nome do aplicativo, atende cidades menores pelo Brasil. A estratégia se mostra bem-sucedida. Dos cinco municípios iniciais, hoje, um pouco mais de um ano de lançada, a solução já alcança mais de 60 localidades, em várias regiões do país.

Até o final de 2021, a meta é mais que dobrar o número de municípios abrangidos. “Queremos chegar a 150 cidades”, calcula um dos sócios, Juliano Matias.

A plataforma de marketplace e entregas atende estabelecimentos (e seus respectivos consumidores) do ramo de restaurantes, bares e similares; supermercados, farmácias e distribuidores de água e gás.

Ao optar por focar em cidades menores, o Appétit dribla a concorrência de mega players, geralmente voltada a grandes centros urbanos.

A opção encontra fundamento em indicadores: 94% dos 5.570 municípios brasileiros têm menos de 100 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a expansão, a estratégia adotada pelo Appétit foi a do licenciamento da marca.

“Trabalhamos com um licenciado por cidade. E o mesmo licenciado pode atender mais de um município”, informa Matias.

Nas 60 cidades atualmente atendidas – além do Paraná, em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Bahia (são 12 estados no total) –, o Appétit já tem mais de 2,5 mil estabelecimentos cadastrados.

Também conta com 1,3 mil entregadores em operação. O aplicativo foi o grande responsável para que a Rhede Sistemas, empresa com mais de 25 anos no mercado de TI, superasse as dificuldades decorrentes da pandemia de Covid-19.

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“O Appétit representou de 12% a 15% do resultado positivo. Como a Rhede presta serviços a clientes de atividades econômicas muito impactadas pela pandemia, o aplicativo proporcionou crescimento. Afinal, a própria pandemia aumentou a demanda por marketplace de entregas”, observa Matias. Com ele, são sócios na Rhede os empresários Roberto Carpes e Roberto Fantin.

Origem

A inserção da Rhede nesse segmento vinha sendo trabalhada desde 2015. Àquela altura, a empresa de TI, que tem sede em Cascavel, começou a ter uma procura de restaurantes para fornecer sistemas de gestão.

A demanda foi se ampliando, e a empresa resolveu se aprofundar no entendimento desse mercado, para identificar potencialidades de negócios.

A gestão de entrega e entregadores era uma dificuldade recorrente entre os estabelecimentos.

“Ao final de 2017, optamos por investir em marketplace de entregas. Em setembro de 2018, lançamos um piloto, em Cascavel.

Em 2019, ampliamos para Toledo, Guarapuava, Umuarama e Medianeira [todos no Paraná]. Prospectamos expansão e, entre franquia e licenciamento da marca, optamos pela segunda alternativa.

Em janeiro de 2020 iniciamos a divulgação e, em março, concedemos a primeira licença. Com a pandemia, a demanda por entregas cresceu. Alcançamos 37 cidades novas em 2020. Hoje, estamos em mais de 60, ao todo”, narra Juliano Matias.

Cashback (programa de fidelidade), para os consumidores, de pelo menos 1% – mesmo quando não aplicado pelos estabelecimentos –, é concedido pela plataforma.

Vantagem que vale ainda para quem indica o aplicativo ao usuário, e a este também, é outra prática de benefício. “É um diferencial interessante para os estabelecimentos, uma vez que estimula o número de compras, pelos consumidores”, destaca Matias.

Para ser licenciado, o interessado precisa apenas de uma estrutura mínima – computador e celular com conexão à internet – e tempo disponível, explica o sócio do Appétit.

“Deve ter perfil empreendedor e certa afinidade com tecnologia. Em um primeiro momento, faz um investimento financeiro, que varia de localidade para localidade – algo em torno de R$ 8 mil, para cidades com até 20 mil habitantes, por exemplo.”

A política de retorno é a seguinte, resume Matias: “No primeiro ano, o licenciado ganha 50% do que se gerar na cidade; a partir do segundo ano, 40%, com os outros 10% reinvestidos em marketing.

O trabalho consiste em cadastrar estabelecimento, prospectar novos e manter relacionamento, impulsionando campanhas, dando suporte local.”

Atualmente, a Rhede mantém uma equipe de 70 colaboradores – 13 deles especialmente voltados ao Appétit. O aplicativo é uma das soluções de um conjunto de sistemas que eles fornecem a empresas do ramo de alimentação.

A suíte, chamada “i9 Appétit”, inclui ainda gestão visual de mesas, controle de comissão de garçons e entregadores, gestão de cardápios, terminais de registro e sistema mobile para garçons, fechamento de caixa, entre outras funcionalidades.

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