O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) realizou seu primeiro evento pré-COP-30 no dia 2 de abril, no Rio de Janeiro, com a participação de lideranças do setor de energia, autoridades e especialistas.
Durante o evento, foi lançado o estudo “Transitioning away from fossil fuels in energy systems”, elaborado pela consultoria Catavento em parceria com o IBP e o Instituto Clima e Sociedade (iCS). O objetivo do estudo é aprofundar o debate sobre o papel do setor de petróleo e gás na transição energética e na descarbonização das economias globais nas próximas décadas.
Desafios e Oportunidades na Transição Energética
Roberto Ardenghy, presidente do IBP, destacou a importância da COP-30 como uma oportunidade para discutir a transição energética.
“Temos a chance de avançar na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e fortalecer a descarbonização, além de gerar recursos que financiem programas de diminuição de emissões e substituição dos combustíveis fósseis no futuro”, afirmou o executivo.
Ardenghy também ressaltou que, apesar do petróleo e gás representarem 80% da energia gerada mundialmente, a transição para fontes de energia mais limpas deve ser gradual e equilibrada. “A evolução energética é uma maratona, e precisamos de estratégias bem planejadas. A transição não pode ser um processo que cause desequilíbrio social”, completou.
O Estudo sobre Transição Energética
O estudo lançado no evento busca fornecer informações detalhadas sobre a transição energética, com foco em biocombustíveis e fontes de energia mais avançadas.
Victoria Santos, gerente de energia e indústria do iCS, enfatizou o apoio ao papel dos biocombustíveis na cadeia de energia, como uma forma de apoiar a descarbonização global.
Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, apresentou o estudo e destacou os riscos econômicos para grandes produtores de petróleo e gás, como Estados Unidos e Rússia. Segundo Lins, esses países correm o risco de ver seus ativos afetados em um ambiente de restrição de carbono no futuro.
Ela também enfatizou a necessidade de entender as dimensões econômicas e sociais da transição energética, incluindo a relevância da produção de petróleo e gás, a competitividade, a segurança energética, o perfil de emissões e a resiliência social.
A Visão do Setor Privado sobre a Transição
A transição energética também foi abordada pelos representantes do setor privado. Sylvia Anjos, diretora executiva de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, destacou a posição estratégica do Brasil, afirmando que o país, apesar de ser um grande emissor de gases de efeito estufa, possui uma indústria de óleo e gás com baixa participação nas emissões totais.
“A exploração e produção de óleo e gás no Brasil é responsável por apenas 2% das emissões”, afirmou Anjos.
Flavio Rodrigues, vice-presidente de Relações Corporativas e Sustentabilidade da Shell, defendeu maior sinergia com as resoluções do Acordo de Paris e afirmou que o Brasil tem potencial para ser um líder na transição energética, podendo alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Andres Guevara, presidente da BP no Brasil, falou sobre a importância das soluções de baixo carbono, como o etanol e o SAF (combustível sustentável de aviação), para o futuro das operações de petróleo e gás. Ele destacou o papel do Brasil na promoção de tecnologias verdes e políticas que incentivem a inovação no setor energético.
Compromissos e Desafios para o Futuro
A transição energética foi reconhecida como um compromisso de longo prazo para muitas empresas do setor de energia. Viviana Coelho, diretora de transição energética da Petrobras, afirmou que o petróleo continuará sendo um insumo importante na jornada para a neutralidade de carbono nas próximas décadas. “Devemos questionar como devemos nos inserir na cadeia de energia global e como podemos avaliar a evolução energética”, destacou.