Na última quarta (06), o Banco Central anunciou o corte da taxa básica de juros em 75 bps, chegando ao menor nível desde sua criação.
Este é o sétimo corte seguido que o governo aplica na taxa, alcançando agora 3% ao ano. Apesar do consenso de mercado em relação ao corte, ele veio maior que o esperado.
Para uma melhor percepção dos cortes temos que simplificar e dividir os momentos da queda da taxa de juros em dois: Antes COVID e PÓS COVID.
Selic – Antes COVID-19
As reformas previstas pelo governo estavam pautadas e a todo vapor.
Concomitantemente os cortes nos juros serviriam para um estímulo ainda maior na economia e a aceleração dos indicadores eram os frutos que estavam para ser colhidos, com PIB estimado para 2020 de até 2%.
Selic – Pós COVID-19
Mundo desacelerou (economicamente) e o impacto foi (e vem sendo) cada vez pior.
O Brasil já começa a sentir a produção industrial desabar e o desemprego a aumentar. Sem saída, o corte nos juros passa a ser emergencial para evitar algo ainda pior. E o governo já sinaliza que haverá um novo corte em breve, pois praticamente estamos estacionados economicamente, tendendo a uma provável deflação (momento em que a inflação gera números negativos).
E o dólar? (PARTE 2)
Seguindo exatamente a linha do último comentário, hoje o dólar fechou com alta de +2,39%, valendo R$ 5,83 e batendo mais um recorde.
E para piorar um pouco mais: a perspectiva da nota de crédito do Brasil foi reduzida de estável para negativa, segundo a análise de Agência de Classificação de Risco Fitch, no último dia 5. Dois anos antes, a agência indicou que não pretendia rever a nota do País.
E a renda fixa? Morreu?
Sim, morreu, mas passa bem! Com a taxa de 3% ao ano, o risco de se investir no país aumenta em relação ao retorno que se oferece.
Sendo assim, para o investidor estrangeiro, não somos mais a “galinha dos ovos de ouro” dos emergentes.
Porém para o poupador local, que não tem muita escolha, acaba sobrando a boa e velha (que não tem nada de boa e sim, somente de velha) caderneta de poupança. Pelo menos é o que dizem os números do Banco Central.
Caderneta de Poupança
Em abril, pleno 2020, pasmem, a poupança teve uma captação líquida de mais de R$ 30 Bilhões !!!
Sim, estes são os dados divulgados pelo Banco Central (BACEN), que é a maior captação líquida de 1995.
Resta concluir que o brasileiro precisa urgente de educação financeira e que em momento de maior percepção de risco, existe uma evidente corrida para a um dos piores investimentos do mercado.
Rentabilidade
Desde 4 de maio de 2012, o rendimento da poupança está diretamente ligado a Selic META. E a conta é bem simples:
– Selic META menor ou igual a 8,5% ao ano, receberão 70% da Selic + TR (que é o caso atual)
– Selic META maior que 8,5%, receberão 0,5% ao mês + TR.
Fazendo o cálculo: primeiro precisamos saber a SELIC META (3,0%). Agora basta calcular 70% de 3% (Selic Meta) = 2,10% ao ano + TR (a TR vem sendo “0” a um bom tempo).
Como sabemos, a poupança para pessoas físicas tem seu rendimento mensal (famosa data de aniversario mensal) , então precisamos dividir o valor por 12 (que é o número de meses do ano). Chegamos então ao valor magnifico de 0,175% ao mês.
É importante lembrar que o relatório FOCUS do Banco Central (BACEN) apontou que espera uma inflação (IPCA) para 2020 de 3,19%. Caso o poupador deixe seu valor na poupança, o rendimento não irá cobrir nem a inflação.
O que fazer então???
É importante buscar alternativas, e dentre elas estão várias oportunidades no mercado, porém, antes de tudo é preciso entender, buscar a ajuda de um especialista e, principalmente, adequar o seu objetivo pessoal (o saber onde quer chegar) com o seu nível de tolerância a risco (o seu perfil de investidor).
No mais, os resultados das empresas vêm sendo divulgados, e nada além de balanços piores que o esperado e números pouco agradáveis. Mas… até aí o mercado entende.
O que o mercado ainda não entende é até quando o governo federal irá “bater cabeça” com os governadores de estado para centralizar uma solução onde possa-se ter uma luz no fim do vírus.